quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ser pastor hoje: Reflexões sobre o pensamento de Eugene H. Peterson acerca da vocação pastoral



por
Ricardo Agreste da Silva

Nos últimos quatro anos, tenho sido tremendamente impactado pelos escritos de um pastor presbiteriano chamado Eugene H. Peterson. Ele tem sido, para mim, uma espécie de mentor em minha jornada de descoberta da vocação pastoral, em meio a tantas outras vozes com suas idéias e propostas altamente sedutoras. Este texto é fruto de minhas anotações sobre algumas de suas idéias. Assim, achei que seria interessante compartilha-lo, tanto para reflexão de outros, como para provocar a discussão sobre o que realmente significa “ser pastor”. Em minha opinião, a discussão deste assunto é hoje uma questão de vida ou morte, não somente para aqueles que desempenham o ministério pastoral, como para as igrejas que são por eles pastoreadas.

Entre Domingos:
Aos domingos, a vida pastoral até que não parece ser tão difícil. Afinal, tudo está relativamente em ordem, da liturgia ao sermão, do boletim ao coral e todas as pessoas, bem arrumadas e assentadas, estão prontas para participar do momento de adoração e, aparentemente, dispostas para ouvir a pregação da Palavra de Deus.
O problema é que, de segunda a sábado, as coisas não acontecem de forma tão organizada, ou mesmo, previsível. As pessoas não parecem tão arrumadas e prontas para a adoração a Deus, muito menos para ouvir Sua Palavra. Então, a ordem da adoração dominical dá lugar a realidade do caos cotidiano.
Apesar do domingo ser um dia essencial no trabalho pastoral, a maior parte deste ministério se dá nos dias que separam um domingo do outro. Por isso, pastoralmente, precisamos dar a mesma atenção ao cotidiano, procurando desenvolver a arte de pastorear em meio ao caos, ou como Peterson coloca: “praticar a arte de orar em meio ao tráfico” [1]

Curar Almas: A Arte Esquecida
Hoje, existe certa distinção entre o que pastores fazem aos domingos e o que fazem entre os domingos. O que fazem aos domingos não mudou ao longo dos últimos séculos: pregar a Palavra, administrar os sacramentos e zelar pela disciplina. No entanto, a tarefa entre domingos foi drasticamente alterada no último século.
Antigamente, o trabalho pastoral entre domingos era parte do que era feito aos domingos. Entre domingos, pastores estavam com indivíduos ou pequenos grupos para estudar a Bíblia e orar com e por eles. O cenário mudava mas o objetivo era o mesmo: descobrir o significado das Escrituras, desenvolver uma vida de oração, guiando pessoas à maturidade. [2]
Este trabalho pastoral era nomeado historicamente como o serviço de cura das almas. O sentido original da palavra latina “cura” é cuidado. Assim, como Peterson aponta, “a cura de almas, pois, é dirigido pelas Escrituras, moldado pelo cuidado na oração, dedicado a pessoas individualmente ou em grupos, em lugares sagrados e profanos. É uma determinação em trabalhar com o centro, em concentrar-se no essencial.” [3]
Atualmente, o trabalho pastoral entre domingos é definido pelo trabalho de “tocar uma igreja” assim como um comerciante toca sua loja ou um empresário a sua empresa. O trabalho pastoral foi quase que inteiramente secularizado, exceção feita ao trabalho dominical. Os mentores dos pastores atuais não são os sábios mestres da antiguidade, mas os espertos consultores de liderança empresarial. A vocação pastoral não é orientada pela oração e sensibilidade, mas pela ação e esperteza para fazer uma igreja crescer e destacar-se.
Com isso, não estamos querendo dizer que no trabalho pastoral não existem atividades administrativas necessárias para a vida da igreja com as quais o pastor acabe por se envolver. No entanto, como Peterson sabiamente compara, como homens casados precisamos “tocar a casa” com nossas esposas. Contas necessitam ser pagas, pequenas reformas feitas e decisões tomadas. No entanto, no casamento e em família, “tocar a casa” não é o que fazemos essencialmente. A avenida principal de nossa vida em família é caracterizada pela construção de um lar, pelo desenvolvimento de um relacionamento conjugal sólido, pela criação de filhos, pela alegria em receber amigos, etc.

Á reas de tensão:
Mas não quero ser tido por idealista e irreal nas expectativas. Tenho plena consciência de que o problema maior de pastores que desejam se tornar guias de almas hoje será o fato de que este ministério se dará no meio de pessoas que esperam que eles “toquem uma igreja”. A tensão entre a vocação de um pastor e a expectativa de uma congregação se dará, segundo Peterson, especialmente em três áreas: na iniciativa, na linguagem e nos problemas.
A tarefa de “tocar uma igreja” exige muita iniciativa. Desde a concepção da idéia, da motivação do grupo, até o recrutamento, o treinamento e a supervisão do trabalho. Iniciativa é essencial e o combate a indolência imprescindível. Diferentemente, no trabalho da cura de almas, o pressuposto básico é de que Deus já tomou a iniciativa em todo lugar e a todo momento. Ele já está no controle da situação. Deus já está atuando diligente, redentiva e estrategicamente antes de eu aparecer em cena. Assim, enquanto as perguntas de alguém que “toca uma igreja” são: O que devemos nós fazer? Quais as providências que devemos nós tomar para melhorar esta comunidade? As perguntas de quem “cura almas” são: O que tem Deus feito na vida deste grupo de forma que possa eu participar? Como a graça de Deus tem se manifestado entre eles de forma que eu possa explicitar? O que Deus quer fazer deles de forma que eu possa contribuir?
Assim, o trabalho pastoral de curar almas, no que se refere a organização e planejamento do grupo, se torna não necessariamente um trabalho de ter e vender idéias, mas de descobrir o que Deus já tem feito na história do grupo e o que ele ainda deseja fazer em suas vidas, vivendo o ministério de acordo com esta direção.
Na tarefa de “tocar uma igreja” a linguagem básica usada é descritiva e motivacional. Descritiva por que quero que as pessoas estejam informadas acerca do que fazer. Motivacional por que então as pessoas se engajarão no que deve ser feito. Diferentemente, no trabalho de curar almas, o pastor esta muito mais interessado no que as pessoas são e no que estão se tornando em Jesus do que no que sabem e nas funções que podem desempenhar. É claro que, como pastores, temos muito o que ensinar e muito que desafiar a fazer. Mas nosso primeiro trabalho na vida das pessoas está relacionado não ao que sabem ou ao que fazem, mas ao que são. Ser pastor implica em descobrir e usar, primariamente a linguagem relacional que tem lugar na conversa com pessoas e na oração para com Deus.
Na tarefa de “tocar uma igreja”, uma das atividades mais comuns está relacionada a resolver problemas. A grande dificuldade é que os problemas vão surgindo com tanta intensidade que a solução dos mesmos torna-se o trabalho integral do pastor. Diferentemente, na tarefa de curar almas, os problemas não são vistos como dificuldades a serem resolvidas, mas como mistérios a serem explorados. No entanto, na sociedade secularizada em que vivemos, nada gera mais desconforto nas pessoas do que as situações que não podem ser explicadas, controladas e direcionadas imediatamente. Se deixarmos que nossa tarefa pastoral se restrinja a solução simples e imediata de problemas, estaremos abrindo mão de uma das mais significativas experiências pastorais que é a de guiar as pessoas em meio ao caos e ensiná-las a orar no meio do tráfico do cotidiano.

NOTAS:
1. Eugene H. Peterson, The Contemplative Pastor (Grand Rapids: Eerdmans, 1993), p. 54.
2. Em seu outro livro, Working the Angles (Grand Rapids, Eerdmans, 1994), Peterson trabalha estes três elementos: Palavra, Oração e Orientação Espiritual, como sendo os três atos essenciais no ministério pastoral.
3. Eugene H. Peterson, The Contemplative Pastor, p. 57.

Cristianismo Hoje: Os Guinness


Leia uma entrevista com Os Guinness onde ele defende que 'o crente precisa engajar-se no debate dos problemas da sociedade, pois só o cristianismo oferece soluções coerentes'.
Hoje morando nos Estados Unidos e com mais de vinte obras de grande sucesso internacional publicadas, Os Guinness se tornou um dos principais apologistas cristãos da atualidade. Com uma bagagem que poucos têm, ele consegue fazer pontes entre as áridas e complicadas teses acadêmicas e a prática diária. Em setembro, Os Guinness esteve pela primeira vez no Brasil a convite da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, para participar de um congresso internacional sobre ética, cidadania, religião e cultura. Durante um intervalo entre as muitas palestras sobre os efeitos da globalização e de como pode ser repensada a relação entre a vida pública e a religião, ele recebeu CRISTIANISMO HOJE para esta entrevista exclusiva:

CRISTIANISMO HOJE – Como o senhor define “a jornada”, um conceito que tem utilizado em seu livro O chamado? Ela é pessoal ou universal?
OS GUINNESS –Jornada é a mais profunda ilustração humana na busca pelo sentido da vida. Basta verificar grandes histórias de jornadas – o Êxodo, a Odisséia, a Ilíada, Dom Quixote, O Peregrino... Todas elas têm em comum a busca por significados. Eu divido a jornada em quatro fases. A primeira é a do questionamento. É a busca consciente. A segunda fase é a das respostas, e eu considero que a fé cristã é a única crença a apresentar uma resposta adequada para essa busca. A terceira etapa é a das evidências. Já que as respostas nos dão sentido, queremos então saber o que é verdade. E, por fim, a última etapa da jornada é aquela que leva ao compromisso. A noção de jornada é a mais profunda ilustração de como as pessoas vêm e se encontram na fé cristã.

Como foi a sua jornada pessoal?
Meus pais eram missionários na China e eu nasci lá. Ainda criança, tive que deixá-los e seguir para a Inglaterra por causa dos comunistas. A minha própria jornada para a fé foi uma travessia intelectual. Comparei os argumentos de autores como Nietzsche, Jean Paul Sartre e Camus, os grandes ateus dos séculos 19 e 20, com os de grandes pensadores cristãos, como Dostoievsky, Chesterton e acima de todos C.S. Lewis. Ao final de minha busca, eu estava certo de que a fé cristã era de fato verdadeira.
Madre Tereza de Calcutá, considerada por muitos católicos uma espécie de “santa” contemporânea, revelou em suas cartas, hoje transformadas em livro, suas dúvidas e angústias acerca da própria fé. O senhor também escreveu sobre isso. Qual é a natureza e o papel da dúvida na vida do cristão?
Eu já escrevi sobre a dúvida porque muitas pessoas com quem conversava se sentiam culpadas por terem dúvidas. Elas pensavam que dúvida é a mesma coisa que descrença – e não é! No grego, no hebraico e em quase todas as línguas do mundo, dúvida significa algo como o meio do caminho entre a fé e a descrença.  Fé significa estar convencido de algo; descrença é não acreditar absolutamente em algo. Ora, a dúvida é o meio de caminho. A dúvida, em si, não é descrença – mas precisa ser resolvida, porque poderá se transformar em descrença. Nos meus livros, tento apresentar as diferentes maneiras pelas quais temos dúvidas e o que fazer para resolvê-las. Praticamente todo mundo tem uma dúvida em algum momento da vida; o mais importante é tornar as pessoas libertas para que compartilhem suas dúvidas. Então, devemos ser honestos sobre isso e compreender que o mais importante é saber resolver as dúvidas e voltar a ter uma segurança plena de fé.
Uma de suas mensagens diz que a maior objeção para a fé cristã são os cristãos. Como assim?
A coisa que faz com que os não-cristãos fiquem mais enojados com a nossa fé é a hipocrisia. É a atitude daquelas pessoas que dizem uma coisa e praticam outra. Neste sentido, a hipocrisia tem sido o grande obstáculo à fé. E ninguém teve uma posição mais contrária à hipocrisia do que Jesus – então, quando nós, que dizemos ser seguidores de Cristo, somos hipócritas, estamos traindo tudo aquilo que o Mestre nos chamou a ser. Erasmo, no tempo da Renascença, disse: “Se quisermos levar os turcos para Cristo, precisamos, antes de mais nada, sermos cristãos nós mesmos”. Hoje, ocorre a mesma coisa. Toda vez que um cristão não vive no padrão de Jesus, estamos vulneráveis à acusação de hipocrisia. 

No contexto atual, qual é o futuro que se vislumbra para as denominações protestantes como instituições?
Há uma resistência às instituições hoje. No mundo globalizado, as nossas instituições – incluindo a família e a Igreja – estão claramente perdendo a força. Talleyrand, um político francês do século XIX, disse que, sem indivíduos, nada acontece; mas sem instituições, nada permanece. Hoje, muito se fala da fé dos sem-igreja, e isso acaba levando a uma  espiritualidade muito ruim e contrária à Bíblia. Muitos cristãos, sobretudo os jovens, têm uma percepção equivocada daquilo que devem almejar. As pessoas dizem: “Posso adorar a Deus num campo de golfe da mesma maneira que na igreja”. Sem dúvida. Mas esse tipo de fé, além de não ter respaldo bíblico, não tem força – é como um cogumelo que cresce na madrugada e de manhã já desaparece.  A Igreja é uma instituição da qual precisamos; porém, a Igreja institucionalizada está perdendo sua verdade. Nós precisamos de uma instituição com verdade, com vida. Precisamos, portanto, de uma reforma das instituições.

Em sua opinião, os cristãos estão deixando um vácuo na sociedade?
O problema não é bem esse. Não é que os cristãos não estejam aonde deveriam estar; o problema é que eles não são o que devem ser, exatamente onde estão. E precisamos de cristãos que saibam como aplicar o senhorio de Jesus e fazer a integração de sua fé em cada parte, em cada esfera da vida. A fé de cada um precisa ser integrar ao todo de sua vida. Os crentes devem viver de maneira cristã, devem trabalhar de maneira cristã. Quem é advogado e conhece Jesus deve exercer a advocacia de maneira cristã. Isso vale para qualquer um que professe fé no Salvador – o médico, o técnico da computação, o lixeiro. Só assim teremos chance de ser sal e luz e ganhar de volta a cultura. Infelizmente, o número de cristãos que pensam é uma minoria. Nas Escrituras, temos o mandamento de amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso entendimento. Mesmo assim, muitos cristãos simplesmente não pensam. Dessa forma, nunca conseguiremos ganhar o mundo moderno, a não ser que tenhamos uma geração que aprenda a pensar biblicamente e de maneira cristã.

Em que dimensão a fé cristã contemporânea sofre influência pós-moderna?
Esse pós-modernismo tem raízes em Nietzsche e outros pensadores tremendamente anticristãos. O que é mais chocante é que o pós-modernismo tem muita força entre os evangélicos na Inglaterra e nos Estados Unidos, bem como em outras partes do mundo – e, pelo que ouço falar, aqui no Brasil também. É irônico porque floresce na França nos anos 1960 quando não havia terreno para crescer na Alemanha do pós Guerra. Daí quando perde força na França, ela floresce nas universidades americanas – bem quando as universidades francesas já tinham abandonado essas idéias. Mas o que é mais terrível ainda, é que agora está florescendo entre os os cristãos em boa parte do mundo. E isso no exato momento em que essas idéias estão morrendo nas universidades americanas. Conhecemos o principio do mercado de investimentos: compra-se na baixa, vende-se na alta. Se você quer fazer lucro, jamais poderá comprar na alta e vender na baixa. Mas os evangélicos têm esse habito estúpido de abraçar as idéias bem quando elas estão moribundas. E são sempre as últimas pessoas acreditando nessas idéias passageiras. O pós-modernismo é profundamente anti-bíblico. É o grande perigo que ronda a fé cristã hoje.
http://www.cristianismohoje.com.br/interna.php?id_conteudo=565&subcanal=36

De Profissão à Vocação



por
Rev. Ricardo Barbosa de Souza
Alguns dias atrás, ouvi um pastor afirmar, até com certo orgulho, que atendia uma média de 30 pessoas por dia em seu gabinete pastoral. A princípio, aquela afirmação me deixou pasmo. Nunca tinha ouvido falar de alguém que tivesse conseguido tal façanha.
Considerando que este pastor trabalha ininterruptamente (sem parar para almoço, água, cafézinho, banheiro etc.) das 8 da manhã às 6 da tarde, ou seja, 10 horas, ele disporia apenas de 20 minutos para cada pessoa, isso sem contar o tempo que se perde entre a saída de um e a entrada de outro.
Vinte minutos para ouvir os dilemas da alma e do coração, aconselhar, orientar e orar com cada um. De duas uma: ou há um certo exagero nos números, comum das estatísticas dos pastores no Brasil, ou o significado da vocação pastoral foi completamente perdido.
Não pretendo, aqui, analisar este fato específico mas, fazer algumas considerações em torno da figura do pastor no mundo moderno. As mudanças pelas quais o mundo vem passando são profundas e rápidas e, inegavelmente, afetam tanto a igreja como o sacerdócio.
A Igreja moderna transformou-se num negócio, numa empresa, e o pastor num executivo que luta para manter-se no mercado. Esta é, talvez, uma das mudanças mais significativas e sérias que estamos atravessando.
Somos agora executivos eclesiásticos, circulando com agendas eletrônicas, telefones celulares, secretárias, auxiliares e assistentes, para atender a um volume cada vez maior de reuniões, entrevistas, conferências, aconselhamentos, etc. Ser ocupado, tornou-se um símbolo de "status" e sucesso tanto no mundo secular como no religioso. Ter uma agenda repleta de compromissos é sinal de competência; afinal, ninguém considera um médico competente, cuja sala de espera do consultório encontra-se absolutamente vazia, e ele, confortavelmente sentado em sua cadeira lendo uma boa revista. Para ser competente, precisa estar com a agenda dos próximos meses completamente cheia. Este sim é um bom profissional. Nesta busca por sucesso e "status" não temos mais tempo para construirmos amizades verdadeiras e profundas, nem tempo para caminharmos com nossos amigos no caminho do discipulado. Não temos tempo para ouvir as histórias dos velhos, os dramas dos mais novos e as crises da alma humana. Dispomos apenas de 20 minutos.
Vivemos hoje um processo de profissionalização do sacerdócio, o qual vem deixando de ser uma vocação para tornar-se numa profissão, e isto faz uma diferença tremenda nos resultados. Henri Nouwen em seu livro "Creative Ministry" apresenta três perigos ou armadilhas que estes líderes profissionais enfrentam.

O primeiro é o perigo do concretismo.
Trata-se da tendência ou inclinação de ter como motivação principal os resultados objetivos e concretos decorrentes das ações do ministério.
Muitos líderes encontram-se frustrados porque os resultados que esperam nem sempre aparecem com rapidez e objetividade que gostariam.
O profissionalismo nos induz a avaliar o ministério por resultados mensuráveis. No entanto, o ministro da reconciliação que atua na promoção do encontro do homem com Deus, com o próximo e consigo mesmo, não pode avaliar seu ministério por resultados mensuráveis estatisticamente.

O segundo perigo é o do poder.
Líderes profissionais encontram-se constantemente diante do perigo de criarem pequenos reinos para eles mesmos. O profissional necessita ser reconhecido, admirado, aclamado.
Precisa sentir-se e preservar-se superior aos outros para mantê-los cativos e dependentes. Geralmente o líder profissional é cercado de admiradores e não de discípulos, de dependentes emocionais e não de amigos. O poder impede que as pontes de amizade e comunhão sejam estabelecidas. O líder profissional que cai na armadilha do poder acaba tornando-se um anti ministro da reconciliação.

O terceiro perigo é o do orgulho.
O profissional reconhece que as mudanças precisam acontecer, empenha-se em converter as pessoas mas é tentado a pensar que ele próprio não precisa de conversão. Ao invez de reconhecer que é parte da comunidade que serve, veste a fantasia de "messias", intocável, sempre correto e justo.
A natureza da vocação é essencialmente relacional. Somos chamados para promover a reconciliação. Este chamado envolve mais do que a capacidade de execução de projetos de natureza religiosa ou conversas de 20 minutos; envolve a arte de penetrar nos lugares secretos da alma humana e trazer para dentro deles a presença divina, conduzi-los à experiência da oração e ao encontro com o Criador. Isto exige tempo. A profissionalização do ministério torna-nos desumanos, mais preocupados conosco e nosso sucesso do que com a vida e seus afetos.
Algum tempo atrás uma paroquiana abordou-me mais ou menos assim: "Sei que você é uma pessoa bastante ocupada, e que quase nunca tem tempo, mas gostaria de poder conversar um pouco". Talvez devesse ficar contente com este "elogio", mas, se não tenho mais tempo para conversar com as pessoas, se estou tão absorvido com meus "negócios" que já não disponho de tempo para o pastoreio, se minha agenda anda tão cheia a ponto de não poder sentar e ouvir um pouco as conversas sobre a vida, que tipo de pastor sou? Precisamos resgatar a natureza da vocação da igreja e do pastor. Não fomos chamados para o mercado, mas para a vida.