Leia
uma entrevista com Os Guinness onde ele defende
que 'o crente precisa engajar-se no debate dos problemas da sociedade, pois
só o cristianismo oferece soluções coerentes'.
Hoje morando nos Estados Unidos e com mais de vinte obras de grande
sucesso internacional publicadas, Os Guinness se tornou um dos principais
apologistas cristãos da atualidade. Com uma bagagem que poucos têm, ele
consegue fazer pontes entre as áridas e complicadas teses acadêmicas e a
prática diária. Em setembro, Os Guinness esteve pela primeira vez no Brasil a
convite da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, para participar
de um congresso internacional sobre ética, cidadania, religião e cultura.
Durante um intervalo entre as muitas palestras sobre os efeitos da globalização
e de como pode ser repensada a relação entre a vida pública e a religião, ele
recebeu CRISTIANISMO HOJE para esta entrevista exclusiva:
CRISTIANISMO HOJE – Como o senhor define “a
jornada”, um conceito que tem utilizado em seu livro O chamado? Ela é pessoal ou universal?
OS GUINNESS –Jornada é a mais profunda ilustração humana na
busca pelo sentido da vida. Basta verificar grandes histórias de jornadas – o
Êxodo, a Odisséia, a Ilíada, Dom Quixote, O
Peregrino... Todas elas têm em comum a busca por significados. Eu
divido a jornada em quatro fases. A primeira é a do questionamento. É a busca
consciente. A segunda fase é a das respostas, e eu considero que a fé cristã é
a única crença a apresentar uma resposta adequada para essa busca. A terceira
etapa é a das evidências. Já que as respostas nos dão sentido, queremos então
saber o que é verdade. E, por fim, a última etapa da jornada é aquela que leva
ao compromisso. A noção de jornada é a mais profunda ilustração de como as
pessoas vêm e se encontram na fé cristã.
Como foi a sua jornada pessoal?
Meus pais eram missionários na China e eu nasci lá. Ainda criança, tive
que deixá-los e seguir para a Inglaterra por causa dos comunistas. A minha
própria jornada para a fé foi uma travessia intelectual. Comparei os argumentos
de autores como Nietzsche, Jean Paul Sartre e Camus, os grandes ateus dos
séculos 19 e 20, com os de grandes pensadores cristãos, como Dostoievsky,
Chesterton e acima de todos C.S. Lewis. Ao final de minha busca, eu estava
certo de que a fé cristã era de fato verdadeira.
Madre Tereza de Calcutá, considerada por muitos
católicos uma espécie de “santa” contemporânea, revelou em suas cartas, hoje
transformadas em livro, suas dúvidas e angústias acerca da própria fé. O senhor
também escreveu sobre isso. Qual é a natureza e o papel da dúvida na vida do
cristão?
Eu já escrevi sobre a dúvida porque muitas pessoas com quem conversava
se sentiam culpadas por terem dúvidas. Elas pensavam que dúvida é a mesma coisa
que descrença – e não é! No grego, no hebraico e em quase todas as línguas do
mundo, dúvida significa algo como o meio do caminho entre a fé e a
descrença. Fé significa estar convencido de algo; descrença é não
acreditar absolutamente em algo. Ora, a dúvida é o meio de caminho. A dúvida,
em si, não é descrença – mas precisa ser resolvida, porque poderá se
transformar em descrença. Nos meus livros, tento apresentar as diferentes
maneiras pelas quais temos dúvidas e o que fazer para resolvê-las. Praticamente
todo mundo tem uma dúvida em algum momento da vida; o mais importante é tornar
as pessoas libertas para que compartilhem suas dúvidas. Então, devemos ser
honestos sobre isso e compreender que o mais importante é saber resolver as
dúvidas e voltar a ter uma segurança plena de fé.
Uma de suas mensagens diz que a maior objeção
para a fé cristã são os cristãos. Como assim?
A coisa que faz com que os não-cristãos fiquem mais enojados com a nossa
fé é a hipocrisia. É a atitude daquelas pessoas que dizem uma coisa e praticam
outra. Neste sentido, a hipocrisia tem sido o grande obstáculo à fé. E ninguém
teve uma posição mais contrária à hipocrisia do que Jesus – então, quando nós,
que dizemos ser seguidores de Cristo, somos hipócritas, estamos traindo tudo
aquilo que o Mestre nos chamou a ser. Erasmo, no tempo da Renascença, disse:
“Se quisermos levar os turcos para Cristo, precisamos, antes de mais nada,
sermos cristãos nós mesmos”. Hoje, ocorre a mesma coisa. Toda vez que um
cristão não vive no padrão de Jesus, estamos vulneráveis à acusação de
hipocrisia.
No contexto atual, qual é o futuro que se
vislumbra para as denominações protestantes como instituições?
Há uma resistência às instituições hoje. No mundo globalizado, as nossas
instituições – incluindo a família e a Igreja – estão claramente perdendo a
força. Talleyrand, um político francês do século XIX, disse que, sem
indivíduos, nada acontece; mas sem instituições, nada permanece. Hoje,
muito se fala da fé dos sem-igreja, e isso acaba levando a uma
espiritualidade muito ruim e contrária à Bíblia. Muitos cristãos, sobretudo os
jovens, têm uma percepção equivocada daquilo que devem almejar. As pessoas
dizem: “Posso adorar a Deus num campo de golfe da mesma maneira que na igreja”.
Sem dúvida. Mas esse tipo de fé, além de não ter respaldo bíblico, não tem
força – é como um cogumelo que cresce na madrugada e de manhã já
desaparece. A Igreja é uma instituição da qual precisamos; porém, a
Igreja institucionalizada está perdendo sua verdade. Nós precisamos de uma
instituição com verdade, com vida. Precisamos, portanto, de uma reforma das instituições.
Em sua opinião, os cristãos estão deixando um
vácuo na sociedade?
O problema não é bem esse. Não é que os cristãos não estejam aonde
deveriam estar; o problema é que eles não são o que devem ser, exatamente onde
estão. E precisamos de cristãos que saibam como aplicar o senhorio de Jesus e
fazer a integração de sua fé em cada parte, em cada esfera da vida. A fé de
cada um precisa ser integrar ao todo de sua vida. Os crentes devem viver de
maneira cristã, devem trabalhar de maneira cristã. Quem é advogado e conhece
Jesus deve exercer a advocacia de maneira cristã. Isso vale para qualquer um
que professe fé no Salvador – o médico, o técnico da computação, o lixeiro. Só
assim teremos chance de ser sal e luz e ganhar de volta a cultura. Infelizmente,
o número de cristãos que pensam é uma minoria. Nas Escrituras, temos o
mandamento de amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso entendimento. Mesmo
assim, muitos cristãos simplesmente não pensam. Dessa forma, nunca
conseguiremos ganhar o mundo moderno, a não ser que tenhamos uma geração que
aprenda a pensar biblicamente e de maneira cristã.
Em que dimensão a fé cristã contemporânea sofre
influência pós-moderna?
Esse pós-modernismo tem raízes em Nietzsche e outros pensadores
tremendamente anticristãos. O que é mais chocante é que o pós-modernismo tem
muita força entre os evangélicos na Inglaterra e nos Estados Unidos, bem como
em outras partes do mundo – e, pelo que ouço falar, aqui no Brasil também. É
irônico porque floresce na França nos anos 1960 quando não havia terreno para
crescer na Alemanha do pós Guerra. Daí quando perde força na França, ela
floresce nas universidades americanas – bem quando as universidades francesas
já tinham abandonado essas idéias. Mas o que é mais terrível ainda, é que agora
está florescendo entre os os cristãos em boa parte do mundo. E isso no exato
momento em que essas idéias estão morrendo nas universidades americanas.
Conhecemos o principio do mercado de investimentos: compra-se na baixa,
vende-se na alta. Se você quer fazer lucro, jamais poderá comprar na alta e
vender na baixa. Mas os evangélicos têm esse habito estúpido de abraçar as
idéias bem quando elas estão moribundas. E são sempre as últimas pessoas
acreditando nessas idéias passageiras. O pós-modernismo é profundamente
anti-bíblico. É o grande perigo que ronda a fé cristã hoje.
http://www.cristianismohoje.com.br/interna.php?id_conteudo=565&subcanal=36
Sabias respostas!! estou até agora envergonhada pois tenho a certeza que ainda não cumpro a missão que mim me foi confiada! Perdoi-me meu Senhor!! Reconheço que tenho muito.. mais muito a aprender e principalmente aprender a praticar o que tenho aprendido!
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